Mas afinal, o que é meditação segundo o ensino das Escrituras?
Desde logo, é necessário esclarecer: não falamos da meditação das religiões orientais, que busca o esvaziamento da mente ou a dissolução do eu.
A meditação bíblica é outra coisa —profundamente distinta, santa e cristocêntrica.
Os puritanos compreendiam que uma das marcas essenciais de uma alma piedosa era a prática constante da meditação.
Para eles, a meditação atuava como uma ponte viva entre a revelação objetiva de Deus nas Escrituras e o coração do crente.
Era o elo que ligava o estudo bíblico à oração, transformando conhecimento em comunhão, doutrina em devoção, verdade conhecida em verdade sentida.
A meditação cristã não é especulativa — como se bastasse pensar corretamente —, mas contemplativa.
Não se trata de esvaziar a mente e aguardar alguma infusão mística, nem da agitação mental própria da investigação acadêmica.
Antes, é uma reflexão profunda, santa e sustentada sobre a verdade já conhecida, até que a alma seja tocada, afetada e moldada por ela.
Não basta apenas coletar a lenha; é preciso acender o fogo.
As Escrituras nos oferecem imagens poderosas dessa prática.
Uma delas é a ruminação dos animais limpos (Lv 11): o cristão piedoso mastiga novamente a verdade, pondera cuidadosamente sobre Cristo e sua obra, trazendo à mente aquilo que já foi recebido.
Outra metáfora notável encontra-se em Apocalipse 4.6, onde os quatro seres viventes são descritos como “cheios de olhos por diante e por detrás”. Assim é o cristão que medita: ele aprende a enxergar Deus por todos os lados — no mundo, na Palavra, na providência e até no interior de sua própria alma.
A verdadeira meditação não se limita ao intelecto. Ela atravessa o entendimento, alcança as afeições e move a vontade.
Onde a meditação é viva, o coração é aquecido, os afetos são ordenados e a obediência se torna mais sincera.